terça-feira, 16 de setembro de 2025

Carta de 10 anos



          E chegou mais um dia 17. Não um dia 17 qualquer.  Mas o dia 17/09. 17/09/2025.  Dez anos da sua partida . 

          Os dias 17 nunca mais foram os mesmos. Nem nossas vidas. E nem nós. 

Algo não mudou: não tem um dia nesses mais de 3650 dias que eu não tenha pensado em você . 

         Tem ideia do tamanho da minha saudade ?

         “ Assim se passaram 10 anos

            Sem eu ver seu rosto 

            Sem olhar seus olhos …”

         Tive você neste plano, por um pouco mais do tempo que longe está dos meus olhos. Inacreditável.

          Dez anos é muito tempo na vida de uma criança. Quase o tempo de vida de alguns animais. 

          Para a história, não é nada. Para uma cidade, muito pouco . 

          Assim também parece. Você está tão presente que parece pouco, o tempo. E a saudade imensa faz o tempo parecer infinitamente longe .

          Dez anos também é um marco. Tal como os números redondos. Um décimo do século. 

          Nestes dez anos, os caminhos mudaram. Outras ruas e avenidas foram abertas. Tanto no sentido concreto,  como no abstrato. As pessoas, ao nosso redor, mudaram. Amizades que não temos mais no cotidiano. E laços que estreitaram . 

          A mesa posta para nove, aos domingos na casa da Bathian,  passou para seis lugares .

          As crianças cresceram. Seus amigos perto de se formarem. Você ganhou 2 priminhas e está perto de ganhar mais 2 primos (a família aumentando). E duas cachorrinhas aqui em casa (Meg deve estar saltitando com você).

          Sinto que está bem.  E sei, estou dez anos mais perto de encontrá-lo. Até lá, vamos vivendo por aqui.

          Sempre com saudades. E um amor infinito. E infindável. E eterno. 


                                Sua mãe 



Ps : a foto é de praia que tanto gostava 

           


                           

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Recuerdos



Mal sabia que tinha apenas uma semana na companhia do meu filho. 

Se soubesse a angústia seria maior ainda.

Ainda vivia dias pesarosos , mas com esperança.  Nunca, até o último instante deixei de acreditar. Que aconteceria um milagre e que ele voltaria para casa. Que a vida voltaria a ser como era.

Choque de realidade . Sob as paredes frias do hospital. O agito do dia a dia e a pseudo calmaria num feriado lá dentro. 

Ele parecia tão sereno . Reagia às cócegas que fazia no pé. Achava que era um sinal que acordaria do coma. Ledo engano. Como tantos outros sinais, para um coração de mãe que queria ver. 

Dias intensos. Recordações dolorosas.


( escrito em mais uma noite insone )

Fora as orquídeas floresciam do mesmo jeito 

11dias



10 anos atrás ..

Estava no hospital, na última e derradeira cirurgia. Bem cedo na manhã de hoje. As cirurgias da manhã terminaram. As cirurgias da tarde terminaram e nada.  As cirurgias da noite terminaram  e nada. Não havia mais ninguém na sala de espera. Apenas Mário e eu.  Foi a espera mais longa da minha vida. Foi apenas na madrugada que o médico saiu. Dizendo que ele estava em coma induzido e precisava descansar. Descansou. Para não mais voltar … 

E assim,  por 11 dias fui me despedindo de você. 


( escrito faz uns dias. Daqui a uma semana fará 10 anos da passagem do meu filho)

Os ipês estavam floridos…