sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

23 anos


               Pensei que nesse aniversário, ainda tenho mais tempo com você do que sem. Estaria fazendo 23 anos nessa existência. No próximo, o tempo quase se igualaria. E depois, mais tempo no além do que aqui. Juntinho.

            Sim, penso e quero acreditar que está bem. Feliz, ou mais feliz na eternidade. 

           Como diz a amiga Adma, as pessoas de Deus são alegres. Você era alegre por aqui. O mal humor só chegava com sono ou fome, como exceções. Ou a impaciência quando a mãe conversava muito com as amigas ( reconhece Valentina?). Tinha uma disposição para brincar, movimentar-se. Intenso, como se não pudesse perder tempo. Parecia saber que o seu tempo aqui seria breve ( será ? ). Extremamente observador, como se processasse informações variadas. Carinhoso e paciente com crianças menores e animais. Adorava massagem nos pés.  E tinha muitas cócegas. Uma risada deliciosa … e um sorriso. Ah o sorriso … dizia muito de você. Maroto, às vezes meio irônico. 

        Já são dez anos sem esse sorriso que sempre me encantou. Esses olhos atentos. A mãozinha fofinha.  E muito cabelo. 

         Nessas datas, em especial os aniversários de nascimento e de morte, mesmo tendo passado algum tempo, as recordações, saudades e dores vem mais intensas. Impossível não sorrir e chorar ao mesmo tempo, com as lembranças. Impossível não se perguntar como estaria e o que estaria fazendo, se estivesse por aqui. Impossível não se perguntar o porquê dos acontecimentos, mesmo sem respostas .

          Ah filho, a saudade me abraça nesses dias. Fico mais sensível. Mais chorona. E muitas vezes, depois vou me dar conta. Que às vezes é a saudade sufocando. Nas palavras não ditas, nos sentimentos não expressos, na empatia não encontrada. 

          No entanto, você vive em mim. E viverá para sempre. Mesmo estando “ do outro lado do caminho”. Ainda assim, hoje é o seu aniversário terreno. 23 anos atrás, chegou para nos contemplar com a sua linda e curta existência por aqui.  Infelizmente, hoje não tem bolo, nem vela para celebrar. Apenas um misto de saudade, tristeza e gratidão.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Flash Back

         
        Conversando com uma amiga: “estou muito triste.15 anos atrás, tive a notícia que a minha filha teria no máximo 3 meses de vida.  Sei que ela está melhor agora. Mas dá um vazio tão grande nesses dias “. 

         Respondi : “ entendo perfeitamente. Só Deus para nos manter em pé “ .

         Imediatamente vários fatos voltaram. 

        Lembrei de quando fui ao consultório do pediatra e ele começou fazer alguns exames. De imediato passou pela minha cabeça : não pode ser o que estou pensando. Na sequência indicou um neuro para fazer uma tomo.

         Veio outra memória bruta. O médico falando comigo, eu sozinha, no corredor da UTI  : “o filho que você conhece, não existe mais. Tem que pensar o que é melhor para ele”.  Palavras que me  machucam até hoje . Palavras que “ giram a faca na ferida “.

          E ainda : “temos que fazer um exame para constatar a atividade cerebral”. Após comunicarem o resultado, simplesmente começaram a desligar os aparelhos, retirar a alimentação, mantendo o mínimo. Tudo na minha frente.  E de imediato( soube depois que essa atitude foi discutida em reunião de conselho. Não, não fui eu que fiz denúncia. Não tinha forças para isso) . 

           Tem momentos que são eternizados. Tanto para o bem , como os nem tanto . 


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Flashes

          


           Nossa vida é feita de instantes. Bons ou ruins eles passam. Rapidamente. Alguns, como vieram passaram. Outros, duram eternamente.

           Trago tantos deles em meu coração. 

Os momentos felizes em que a  risada corria solta. Brincadeiras de infância. Refeições compartilhadas. Cantorias . Contação de histórias. Trajetos para escola. Volta para casa.  Provocações : “ você não me pega “. 

          Hoje o face me lembrou da sua última audição do piano. Exatamente 11 anos atrás. Tocando uma música que também toquei, o Astronauta ( dos personagens do Maurício de Souza ).

           Revê-lo tocando. Revê-lo em movimento. Revê-lo sério e depois com um sorrisinho contido. Ah … machucou o meu coração. Lembrar que não tenho mais essa possibilidade de revê-lo assim. Apenas no vídeo. Apenas em fotos. Apenas em lembranças.

           O quase dia 17.  O quase Natal. Quase final do ano, torna-nos mais sensíveis .

Saudades de um tempo que não volta . Nunca volta. 


( escrevi ontem após ver a lembrança no Face da última audição do João Pedro ) 

domingo, 16 de novembro de 2025

Acreditar

 

                Quantos sentimentos o luto traz inerente. O medo de não conseguir seguir em frente. Medo da partida de outras pessoas que amamos. Medo da pessoa que nos transformamos, pois ninguém sai de uma experiência de luto intensa, igual. 

                Com isso, revivemos a dor e o sofrimento. Revisitamos um lugar que estivemos .

                Assistindo uma entrevista da atriz Cissa Guimarães , que perdeu seu filho muito tempo atrás, destaco alguns pontos que, de memória, chamaram a minha atenção .

               “ Somos mulheres amputadas “, ou seja, quando nosso filho partiu, parte de mim foi arrancada. Tem um pedaço “ faltante “. Sempre terá. No entanto, sobrevivemos sem este pedaço. Vivemos sem ele.

               “ Não sou 100 por cento feliz, mas é possível ser 80, 90 por cento “.  Nesse caso eu me pergunto : alguém nessa vida é cem por cento feliz ?  Talvez o nosso “ potencial máximo “, seja menor.  Mas o nosso 90, 80, 70 por cento, ou menos,  pode ser maior que o quase 100 de alguém .    Sim, temos que lutar. Sempre. Diariamente. 

               Para isso, precisamos acreditar.  Acreditar num propósito para nossas vidas. Acreditar que devemos seguir adiante, pelos que estão ao nosso redor. Acreditar e enxergar que no meio do caos, temos bençãos. Acreditar no amor que nos une,  com laços infinitos. Acreditar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

3 momentos , 3 lembranças

 

           Muito aconteceu e eu não escrevi. Não toquei piano e nem cantei. A insônia me  consumindo. Cansada . 

         Voltando da caminhada, enfileiradas flores amarelas em frente ao para-brisa . Parecia terem sido deixadas minuciosamente organizadas. Tais como os carrinhos do João Pedro brincando de garagem . 

            De repente percebi que estamos perto do fim do mês.  As crianças costumavam pedir doces na vizinhança. Sem se darem conta do significado, era dia de pedir doces. Pela brincadeira, por estarem juntos  e ganhar doces. Os amigos se reuniam e iam em grupos . Depois repartiam irmanamente, em casa. Uma farra deliciosa. 

               Hoje , entrei na loja Ciranda ( brinquedos e livros infantis). Durante toda infância, meus filhos frequentaram essa loja. Para comprar livros, presentes para os amigos e nas oficinas que eram feitas. Certa vez,  ficaram com uma bacia de lichia se deliciando na calçada. Sentiam-se em casa. Folheando os livros, andando pelos brinquedos e novidades que não acompanhei, bateu uma nostalgia. Vontade de entrar numa máquina do tempo e poder retornar.

              Do nada as lembranças invadem o pensamento. Surge a saudade. Ou porque ela nunca se foi , ou irá. Saudade, saudade, saudade …

             E como recebi de um amigo “ Que nesse dia possamos celebrar o encanto das pequenas travessuras e a beleza de sermos quem somos, com ou sem fantasia” . Com as nossos sonhos e nossas recordações. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Poema



Na minha solidão eu choro

10 anos

Sufocada 

Saudades do anjo que mora em mim


“ Quem me vê assim cantando 

Não sabe nada de mim

Dentro de mim mora um anjo 

Que me sufoca de amor.”

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Carta de 10 anos



          E chegou mais um dia 17. Não um dia 17 qualquer.  Mas o dia 17/09. 17/09/2025.  Dez anos da sua partida . 

          Os dias 17 nunca mais foram os mesmos. Nem nossas vidas. E nem nós. 

Algo não mudou: não tem um dia nesses mais de 3650 dias que eu não tenha pensado em você . 

         Tem ideia do tamanho da minha saudade ?

         “ Assim se passaram 10 anos

            Sem eu ver seu rosto 

            Sem olhar seus olhos …”

         Tive você neste plano, por um pouco mais do tempo que longe está dos meus olhos. Inacreditável.

          Dez anos é muito tempo na vida de uma criança. Quase o tempo de vida de alguns animais. 

          Para a história, não é nada. Para uma cidade, muito pouco . 

          Assim também parece. Você está tão presente que parece pouco, o tempo. E a saudade imensa faz o tempo parecer infinitamente longe .

          Dez anos também é um marco. Tal como os números redondos. Um décimo do século. 

          Nestes dez anos, os caminhos mudaram. Outras ruas e avenidas foram abertas. Tanto no sentido concreto,  como no abstrato. As pessoas, ao nosso redor, mudaram. Amizades que não temos mais no cotidiano. E laços que estreitaram . 

          A mesa posta para nove, aos domingos na casa da Bathian,  passou para seis lugares .

          As crianças cresceram. Seus amigos perto de se formarem. Você ganhou 2 priminhas e está perto de ganhar mais 2 primos (a família aumentando). E duas cachorrinhas aqui em casa (Meg deve estar saltitando com você).

          Sinto que está bem.  E sei, estou dez anos mais perto de encontrá-lo. Até lá, vamos vivendo por aqui.

          Sempre com saudades. E um amor infinito. E infindável. E eterno. 


                                Sua mãe 



Ps : a foto é de praia que tanto gostava