Revendo alguns textos, para publicar , na página do @publicacoesdodia17, reencontrei um texto que falava da música “ o filho que quero ter “.
“ É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem
De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter”.
Esse texto, do Vinicius de Moraes, foi criado, após uma conversa com o Toquinho, imaginando como seria ser pai. E o deixou muito emocionado, aos prantos.
E assim me encontrei também, após ouvir novamente.
A proximidade do dia das mães faz com que fiquemos mais sensíveis.
Lembramos que um dia imaginamos o filho que teríamos. Que rostinho teria, quais seriam os gostos, como cresceria, até nos acompanhar na finitude de nossas vidas , prosseguindo com a dele. A morte de um filho rompe com todo esse ciclo. E agora, só nos resta imaginar novamente : que rosto teria, como estaria.
João Pedro , você foi o filho que eu queria ter tido . E tenho, para sempre em meu coração.




