Pensei que nesse aniversário, ainda tenho mais tempo com você do que sem. Estaria fazendo 23 anos nessa existência. No próximo, o tempo quase se igualaria. E depois, mais tempo no além do que aqui. Juntinho.
Sim, penso e quero acreditar que está bem. Feliz, ou mais feliz na eternidade.
Como diz a amiga Adma, as pessoas de Deus são alegres. Você era alegre por aqui. O mal humor só chegava com sono ou fome, como exceções. Ou a impaciência quando a mãe conversava muito com as amigas ( reconhece Valentina?). Tinha uma disposição para brincar, movimentar-se. Intenso, como se não pudesse perder tempo. Parecia saber que o seu tempo aqui seria breve ( será ? ). Extremamente observador, como se processasse informações variadas. Carinhoso e paciente com crianças menores e animais. Adorava massagem nos pés. E tinha muitas cócegas. Uma risada deliciosa … e um sorriso. Ah o sorriso … dizia muito de você. Maroto, às vezes meio irônico.
Já são dez anos sem esse sorriso que sempre me encantou. Esses olhos atentos. A mãozinha fofinha. E muito cabelo.
Nessas datas, em especial os aniversários de nascimento e de morte, mesmo tendo passado algum tempo, as recordações, saudades e dores vem mais intensas. Impossível não sorrir e chorar ao mesmo tempo, com as lembranças. Impossível não se perguntar como estaria e o que estaria fazendo, se estivesse por aqui. Impossível não se perguntar o porquê dos acontecimentos, mesmo sem respostas .
Ah filho, a saudade me abraça nesses dias. Fico mais sensível. Mais chorona. E muitas vezes, depois vou me dar conta. Que às vezes é a saudade sufocando. Nas palavras não ditas, nos sentimentos não expressos, na empatia não encontrada.
No entanto, você vive em mim. E viverá para sempre. Mesmo estando “ do outro lado do caminho”. Ainda assim, hoje é o seu aniversário terreno. 23 anos atrás, chegou para nos contemplar com a sua linda e curta existência por aqui. Infelizmente, hoje não tem bolo, nem vela para celebrar. Apenas um misto de saudade, tristeza e gratidão.
