sábado, 17 de janeiro de 2026

Flash Back

         
        Conversando com uma amiga: “estou muito triste.15 anos atrás, tive a notícia que a minha filha teria no máximo 3 meses de vida.  Sei que ela está melhor agora. Mas dá um vazio tão grande nesses dias “. 

         Respondi : “ entendo perfeitamente. Só Deus para nos manter em pé “ .

         Imediatamente vários fatos voltaram. 

        Lembrei de quando fui ao consultório do pediatra e ele começou fazer alguns exames. De imediato passou pela minha cabeça : não pode ser o que estou pensando. Na sequência indicou um neuro para fazer uma tomo.

         Veio outra memória bruta. O médico falando comigo, eu sozinha, no corredor da UTI  : “o filho que você conhece, não existe mais. Tem que pensar o que é melhor para ele”.  Palavras que me  machucam até hoje . Palavras que “ giram a faca na ferida “.

          E ainda : “temos que fazer um exame para constatar a atividade cerebral”. Após comunicarem o resultado, simplesmente começaram a desligar os aparelhos, retirar a alimentação, mantendo o mínimo. Tudo na minha frente.  E de imediato( soube depois que essa atitude foi discutida em reunião de conselho. Não, não fui eu que fiz denúncia. Não tinha forças para isso) . 

           Tem momentos que são eternizados. Tanto para o bem , como os nem tanto . 


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