domingo, 23 de fevereiro de 2025

Para Lúcia e Luiz


                
                Algumas horas as palavras parecem insuficientes .

             Resta um abraço, a presença , uma forma de dizer: estou aqui.

              Para mim , é reviver momentos dolorosos. Tirar da gaveta,  dos recônditos,  a dor guardada. Do que acredito, ser a maior dor do mundo .

             Um pedaço arrancado de nós, de forma tão abrupta. Anoitecer e não amanhecer. De forma inversa que seria a ordem natural . Um filho partir antes, algo inimaginável.

              Serão muitos questionamentos, mas, creio, as respostas completas somente em outro plano.  Do outro lado do caminho. 

             Como caminharão a partir de agora ? Um passo de cada vez.  Até completarem essa caminhada, chamada vida terrena . Apoiados pela fé, que sei que possuem . Para e pelos que ficam: a filha , os netos e o cônjuge. Com o apoio mútuo da família, dos amigos, da fé e profissional . 

              E como diz uma conhecida letra de música, de música que o Guilherme tanto amava,  “ uma dor assim pungente , não há de ser inutilmente”.  Ainda cedo para dizer isso, mas conseguirão ressignificar a vida. 

E ainda que “ a esperança dança, na corda bamba de sombrinha que em cada passo dessa linha pode se machucar “ , seguimos equilibrando, sem perder a esperança, pois desditosos são os que a perderam.         Esperança do coração se acalmar , esperança de dias menos difíceis, esperança do nosso reencontro com os nossos amados. Assim espero. 

           E a vida, apesar de tudo, continua . Diferente, porém esse amor e esse laço formado, continuam. Por toda eternidade. Sempre. 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Ainda


A música toca

Palavras se espalham 

Verdade alcança  

Alma que não é pequena .


Ainda lembro do bebê pequenino, da criança atenta, do pré adolescente contestador

Ainda posso lembrar,  do  cheiro, do toque, do timbre da voz 

Ainda ecoa o som do riso, 

Ainda  escuto  mãe , mãe , mãe 

Ainda vejo um sorriso maroto, um olhar instigante 

Ainda dói a ausência 

Ainda penso em você, todo dia 

Ainda sinto sua falta, sempre 

Ainda está e estará comigo, 

Ainda … 


( este texto foi selecionado para a Antologia o Amor que pulsa em mim, a ser publicado ) 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

22 anos

                   Meu querido, seu aniversário se aproxima. A intensidade em que eu penso em você também.
                 Esse tempo,  “ senhor de todos os destinos”  é muitas vezes cruel. Faz  10 anos que não cantamos parabéns para você nesta data. Desde a última comemoração por aqui. Um futebol debaixo da chuva. Todos molhados e felizes, sob o calor. A foto registrou e intensificou esse momento. Que paradoxalmente parece que foi ontem . E não há dez  anos.  O tempo nos prega essas peças … 

              E nos faz indagar : como seria o João Pedro de 22 anos? 

             Lágrimas escorrem. Saudade. Aperto no coração. Noite insone. 

             Depois, a paz retorna. Como viesse a me dizer : estou bem. O tempo que tivemos juntos foi maravilhoso. Um dia nos reencontraremos.

              E a gratidão por ter vindo meu filho, 22 anos atrás. Feliz aniversário, aonde estiver. Amamos você .