domingo, 23 de fevereiro de 2025

Para Lúcia e Luiz


                
                Algumas horas as palavras parecem insuficientes .

             Resta um abraço, a presença , uma forma de dizer: estou aqui.

              Para mim , é reviver momentos dolorosos. Tirar da gaveta,  dos recônditos,  a dor guardada. Do que acredito, ser a maior dor do mundo .

             Um pedaço arrancado de nós, de forma tão abrupta. Anoitecer e não amanhecer. De forma inversa que seria a ordem natural . Um filho partir antes, algo inimaginável.

              Serão muitos questionamentos, mas, creio, as respostas completas somente em outro plano.  Do outro lado do caminho. 

             Como caminharão a partir de agora ? Um passo de cada vez.  Até completarem essa caminhada, chamada vida terrena . Apoiados pela fé, que sei que possuem . Para e pelos que ficam: a filha , os netos e o cônjuge. Com o apoio mútuo da família, dos amigos, da fé e profissional . 

              E como diz uma conhecida letra de música, de música que o Guilherme tanto amava,  “ uma dor assim pungente , não há de ser inutilmente”.  Ainda cedo para dizer isso, mas conseguirão ressignificar a vida. 

E ainda que “ a esperança dança, na corda bamba de sombrinha que em cada passo dessa linha pode se machucar “ , seguimos equilibrando, sem perder a esperança, pois desditosos são os que a perderam.         Esperança do coração se acalmar , esperança de dias menos difíceis, esperança do nosso reencontro com os nossos amados. Assim espero. 

           E a vida, apesar de tudo, continua . Diferente, porém esse amor e esse laço formado, continuam. Por toda eternidade. Sempre. 

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