quinta-feira, 17 de abril de 2025

Parte de mim ( poesia)

Parte de mim


Parte de mim ficou

Num dia lá atrás quando  partiu 

Parte de mim vive lá 

Assombrada

Parte de mim  prosseguiu 

E retorna.

Luto de um filho

Saudades  

De parte que ficou 

De parte que partiu.

domingo, 6 de abril de 2025

Parte de mim

              
                 Parte de mim ficou. Num dia lá atrás, quando você partiu. Ainda que parte de mim prosseguiu, a parte que ficou, ficouEla ainda vive naquele dia. E nos dias que antecederam. E esse dia me assombra. E reaparece do nada. Ou de algo que me lembre . 

                Momentos que vemos amigos sofrendo, passando por um processo de doença, ou de perda , lembro da parte que ficou. E sofro junto. E dói . 

               Mas você seguiu em frente … Sim. 

               Você não está mais em luto … realmente não estou, no sentido literal .

               No entanto, nessas horas damos um passo para trás. E  sentimos saudades  da parte que ficou. E nunca mais se integrou .

segunda-feira, 17 de março de 2025

Flor no capuz




        Uma flor no capuz do moletom, a mesma que ganhava . 

        Uma flor no pára-brisa do carro , sem nada por perto . 

        Será que os sinais são iguais ? A maneira de se mandar a msg que difere , ou não? 

        Às vezes penso que imaginei . Depois “ despenso” novamente. Foram tantos acontecimentos. Principalmente no começo : flores , borboletas, músicas inesperadas . E até objetos inusitados. 

        Para acalmar meu coração…

        Sonhos em que aparecia sempre sorridente … Com o sorriso maroto , que era a sua marca e o olhar atento.

        Penso que era uma forma de me visitar.

        Faz tempo que não sonho . E sinto falta … Até dos sonhos sinto falta.

         Estou sensível. A conversa sobre o luto mexeu comigo.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Para Lúcia e Luiz


                
                Algumas horas as palavras parecem insuficientes .

             Resta um abraço, a presença , uma forma de dizer: estou aqui.

              Para mim , é reviver momentos dolorosos. Tirar da gaveta,  dos recônditos,  a dor guardada. Do que acredito, ser a maior dor do mundo .

             Um pedaço arrancado de nós, de forma tão abrupta. Anoitecer e não amanhecer. De forma inversa que seria a ordem natural . Um filho partir antes, algo inimaginável.

              Serão muitos questionamentos, mas, creio, as respostas completas somente em outro plano.  Do outro lado do caminho. 

             Como caminharão a partir de agora ? Um passo de cada vez.  Até completarem essa caminhada, chamada vida terrena . Apoiados pela fé, que sei que possuem . Para e pelos que ficam: a filha , os netos e o cônjuge. Com o apoio mútuo da família, dos amigos, da fé e profissional . 

              E como diz uma conhecida letra de música, de música que o Guilherme tanto amava,  “ uma dor assim pungente , não há de ser inutilmente”.  Ainda cedo para dizer isso, mas conseguirão ressignificar a vida. 

E ainda que “ a esperança dança, na corda bamba de sombrinha que em cada passo dessa linha pode se machucar “ , seguimos equilibrando, sem perder a esperança, pois desditosos são os que a perderam.         Esperança do coração se acalmar , esperança de dias menos difíceis, esperança do nosso reencontro com os nossos amados. Assim espero. 

           E a vida, apesar de tudo, continua . Diferente, porém esse amor e esse laço formado, continuam. Por toda eternidade. Sempre. 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Ainda


A música toca

Palavras se espalham 

Verdade alcança  

Alma que não é pequena .


Ainda lembro do bebê pequenino, da criança atenta, do pré adolescente contestador

Ainda posso lembrar,  do  cheiro, do toque, do timbre da voz 

Ainda ecoa o som do riso, 

Ainda  escuto  mãe , mãe , mãe 

Ainda vejo um sorriso maroto, um olhar instigante 

Ainda dói a ausência 

Ainda penso em você, todo dia 

Ainda sinto sua falta, sempre 

Ainda está e estará comigo, 

Ainda … 


( este texto foi selecionado para a Antologia o Amor que pulsa em mim, a ser publicado ) 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

22 anos

                   Meu querido, seu aniversário se aproxima. A intensidade em que eu penso em você também.
                 Esse tempo,  “ senhor de todos os destinos”  é muitas vezes cruel. Faz  10 anos que não cantamos parabéns para você nesta data. Desde a última comemoração por aqui. Um futebol debaixo da chuva. Todos molhados e felizes, sob o calor. A foto registrou e intensificou esse momento. Que paradoxalmente parece que foi ontem . E não há dez  anos.  O tempo nos prega essas peças … 

              E nos faz indagar : como seria o João Pedro de 22 anos? 

             Lágrimas escorrem. Saudade. Aperto no coração. Noite insone. 

             Depois, a paz retorna. Como viesse a me dizer : estou bem. O tempo que tivemos juntos foi maravilhoso. Um dia nos reencontraremos.

              E a gratidão por ter vindo meu filho, 22 anos atrás. Feliz aniversário, aonde estiver. Amamos você .

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Sobre o luto


               A insônia bateu. Antes não existia . Também não tinha pressão alta. Esses são apenas alguns detalhes do depois, que os outros desconhecem. A pouca tolerância a certas futilidades, também . O mundo é visto sob outra ótica. As lentes mudam completamente. 

           Conversando com uma amiga , que teve uma depressão muito séria, sobre o que ouvia durante o processo, disse que escreveria sobre o que ouvia durante o luto. E que eu não sabia se antes, falava ou reproduzia essas frases.

           “ Você tem um anjinho no céu …”  - como mãe, sinto tanto a falta dele por aqui . Queria a presença física que sentimos falta diariamente. Passando o tempo que for .

           “ Você tem outra filha… “  - nem que tivesse vários outros, nada e ninguém substitui aquele que se foi

           “ Você sabe que dor é essa … perdi o meu cunhado ( ou o cachorro, ou o papagaio, ou sei lá quem ) - penso que a dor da partida de um filho não tem comparação. É parte de você que se vai … numa partida tão precoce então …

           E a pior , “ foi melhor assim…”   - melhor para quem ? 

            Não, nunca retruquei . Penso que foram chavões repetidos  sem questionamentos. 

           Talvez a melhor atitude  seja, simplesmente, dar um abraço. Como que dizendo silenciosamente, estou aqui . Não sei que dor é essa, pois não passei por isso, mas sou solidário ( a) . E se precisar de mim, estou ao seu lado . 

           Tive a sorte de ter tido e ter, tantos bons amigos, ao meu lado. Mesmo sabendo o quanto é solitário e duro o processo do luto. O que você passa , só você passa . A dor do seu companheiro, não é igual a sua,  mesmo que semelhante. Cada dor é única , porque cada relação é única. E como sentimos também. 

          “ cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é….

            Cale a boca, não cale na boca notícia ruim”.

            Ter amigos, pessoas que verdadeiramente torcem por você, ajuda a travessia.  Benditos sejam eles.