quarta-feira, 2 de julho de 2025

Minha voz, minha vida

         

            Estou com a voz debilitada. Tendo que economiza-la,  devido as apresentações de canto iminentes. Como é difícil o silêncio. Contradizendo toda a minha ascendência nipônica. Meio “ paraguaia”, como dizia um colega meu .

         João Pedro era assim. Ainda pequeno, com ele no mercado , alguém disparou : “ nossa normalmente menina que fala bastante.  Mas esse menino fala , hein…” 

Ele olhou pra mim meio pasmado  e emudeceu. Circunstancialmente. Depois voltou à eloquência.

         Quando partiu, parte de mim emudeceu. As palavras destinadas a você, desapareceram. E  fluiu a escrita. Nela, as respostas são minhas, não suas. Os diálogos solitários . 

        Ah, como é difícil ficar sem voz . Sem a sua voz.

        Para a minha, vou achando subterfúgios.

       “ Vida que não é menos minha que da canção “

        Permeando vida, canção e escrita 

Pois “ se o amor escraviza … é a única libertação “.

        E assim seguimos. Ou melhor, prosseguimos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário