domingo, 24 de agosto de 2025

Medo

                 Com o luto, veio o medo. 

              Medo de perder o que já perdemos. Medo de perder o que ainda não perdemos. Medo da possibilidade da perda. Medo das diversas perdas. Medo de passar novamente pelo que passamos . 

              A percepção dos fatos mudou após a sua partida. Não somos mais quem éramos. Nem voltaremos a ser .

               22/08, exatamente 10 anos atrás, meu filho passou mal. E foi internado, dois dias depois,  para não voltar mais para essa casa. Ainda lembro todas as datas. 

Dia 23, ficou quietinho, deitadinho. A Meg , a companheira de 4 patas, também emudecida ao seu lado. Em vigilância. Algo  incomum,  para dois seres inquietos e tão cheios de vida . 

                Desde então,  a casa foi silenciando. Sem sons de videogames, músicas cantaroladas, brigas entre irmãos, latidos provocados de cachorrinha , chegadas barulhentas .

               Em contraste, um sentimento diferente passou a gritar em meu coração. Que nem sempre tenho a compreensão. Às vezes dor. Às vezes nostalgia. Às vezes saudade intensa . Às vezes pesar. Às vezes gratidão. Às vezes medo. Às vezes algo que nem sei nomear: que me faz sorrir e/ou chorar emocionada.

                 São as perdas do luto.  São os “ ganhos” do luto. Não pedimos por nenhum deles.  Mas vieram. Eu que lute. Sempre . 

3 comentários:

  1. Como sempre, você soube definir em poucas palavras o sentimento inigualável de quem perdeu um ente querido. Ainda mais um filho,que dizem ser a pior das dores.

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    1. Nunca estamis preparados para as perdas!! Mas, como ja disse, admiro vc!!

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  2. Você sempre consegue definir essa dor tão profunda!

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