Com o luto, veio o medo.
Medo de perder o que já perdemos. Medo de perder o que ainda não perdemos. Medo da possibilidade da perda. Medo das diversas perdas. Medo de passar novamente pelo que passamos .
A percepção dos fatos mudou após a sua partida. Não somos mais quem éramos. Nem voltaremos a ser .
22/08, exatamente 10 anos atrás, meu filho passou mal. E foi internado, dois dias depois, para não voltar mais para essa casa. Ainda lembro todas as datas.
Dia 23, ficou quietinho, deitadinho. A Meg , a companheira de 4 patas, também emudecida ao seu lado. Em vigilância. Algo incomum, para dois seres inquietos e tão cheios de vida .
Desde então, a casa foi silenciando. Sem sons de videogames, músicas cantaroladas, brigas entre irmãos, latidos provocados de cachorrinha , chegadas barulhentas .
Em contraste, um sentimento diferente passou a gritar em meu coração. Que nem sempre tenho a compreensão. Às vezes dor. Às vezes nostalgia. Às vezes saudade intensa . Às vezes pesar. Às vezes gratidão. Às vezes medo. Às vezes algo que nem sei nomear: que me faz sorrir e/ou chorar emocionada.
São as perdas do luto. São os “ ganhos” do luto. Não pedimos por nenhum deles. Mas vieram. Eu que lute. Sempre .

Como sempre, você soube definir em poucas palavras o sentimento inigualável de quem perdeu um ente querido. Ainda mais um filho,que dizem ser a pior das dores.
ResponderExcluirNunca estamis preparados para as perdas!! Mas, como ja disse, admiro vc!!
ExcluirVocê sempre consegue definir essa dor tão profunda!
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