sábado, 9 de maio de 2026

O filho que eu tive


          Revendo alguns textos, para publicar , na página do @publicacoesdodia17, reencontrei um texto que falava da música “ o filho que quero ter “.  


“ É comum a gente sonhar, eu sei

Quando vem o entardecer

Pois eu também dei de sonhar

Um sonho lindo de morrer

Vejo um berço e nele eu me debruçar

Com o pranto a me correr

E assim chorando acalentar

O filho que eu quero ter

Dorme meu pequenininho

Dorme que a noite já vem

Teu pai está muito sozinho

De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar

Num menino igual a mim

Que vem correndo me beijar

Quando eu chegar lá de onde eu vim

Um menino sempre a me perguntar

Um porquê que não tem fim

Um filho a quem só queira bem

E a quem só diga que sim

Dorme menino levado

Dorme que a vida já vem

Teu pai está muito cansado

De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar

Pelo tanto que me deu

Sentir-lhe a barba me roçar

No derradeiro beijo seu

E ao sentir também sua mão vedar

Meu olhar dos olhos seus

Ouvir-lhe a voz a me embalar

Num acalanto de adeus

Dorme meu pai sem cuidado

Dorme que ao entardecer

Teu filho sonha acordado

Com o filho que ele quer ter”.


        Esse texto, do Vinicius de Moraes, foi criado, após uma conversa com o Toquinho, imaginando como seria ser pai. E o deixou muito emocionado, aos prantos. 

        E assim me encontrei também, após ouvir novamente. 

        A proximidade do dia das mães faz com que fiquemos mais sensíveis. 

       Lembramos que um dia imaginamos o filho que teríamos. Que rostinho teria, quais seriam os gostos, como cresceria, até nos acompanhar na finitude de nossas vidas , prosseguindo com a dele. A morte de um filho rompe com todo esse ciclo. E agora, só nos resta imaginar novamente : que rosto teria, como estaria. 

       João Pedro , você foi o filho que eu queria ter tido . E tenho, para sempre em meu coração.