Mais um dia 17 se aproxima. E eu estou aqui, em mais uma madrugada insone. Acordo do nada, é difícil, às vezes, voltar a dormir. Era o horário que a enfermagem passava. Ainda me perseguem, em certos períodos, mesmo depois de tanto tempo.
Sim, tento trazer à consciência, tudo que me acontece. Para tentar compreender e prosseguir. Por isso, a escrita me auxilia. Desde que a redescobri, ajuda a organizar as ideias, estruturar os pensamentos. Transmitir os sentimentos, sem perturbar terceiros. Porque o mundo, não tem paciência de ouvir. As redes sociais são hedônicas. E tristeza afasta as pessoas .
No entanto, não posso deixar de sentir o que sinto. Como diversas vezes repeti, luto de filho não se supera. Você aprende a viver de uma forma diferente. Ressignifica sua vida. Mas o luto está lá. Passe o tempo que for. A parte “ arrancada” de você , como muitas vezes ouvi de mães em luto, continua latejando. Umas vezes mais, outras nem tanto.
“Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi”
( Pedaço de mim, Chico Buarque 1977)
