segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O amor acaba quando as pessoas morrem?


"- Mãe.

 - Sim.

 - O amor acaba quando as pessoas morrem?

 - Claro que não.

 - Mas o coração deixa de bater e deixa de sentir.

 - Meu filho, quando um relógio para, o tempo deixa de passar?

 - Não.

 - Com o coração é a mesma coisa. Pode parar e deixar de bater, mas o amor que trazia nunca vai passar, porque o deixou ficar por onde passou."


💛 lado.a.lado



Cinco anos atrás recebi a notícia da morte cerebral do meu filho...

Sua voz

             Hoje faz 5 anos que escutei a sua voz pela última vez. Na correria, tendo conseguido vaga num hospital de excelência, com um dos melhores neurocirurgiões do país e cheia de esperança. Você falava que estava com muito sono. E eu conversando com você .

               Às vezes eu me pergunto, como diz aquela música : “ se foi pra desfazer por que é que fez”. Conseguir vaga com o médico recomendado nas circunstâncias que aconteceram, parecia um milagre. Parecia que tudo estava encaminhando bem e que tudo terminaria bem. Eu acreditava nisso.

              Mal sabia.... mesmo com todas as circunstâncias.

              Ah, se eu soubesse... acho que eu queria ter dito mais para você. Que você foi o melhor filho que eu poderia ter tido. Que tenho muito orgulho do que é ( foi). Que você e sua irmã são a melhor parte de mim. Que se você fosse embora, uma parte de mim seria arrancada, deixando um espaço jamais preenchido, porque ele é seu e sempre será.

                Hoje eu sei deste vazio presente. Desta ausência presente. Da sua voz que eu não escuto mais,  chamando “mãe “.


( escrito em 1/9/2020. Tempo de reviver os acontecimentos para poder seguir em frente)

sábado, 12 de setembro de 2020

As criaturas não morrem


                    “Não são as criaturas que morrem.

                    É o inverso:

                    só morrem as coisas.

                    As criaturas não morrem

                    porque a si mesmas se fazem.

                    E quem de si nasce

                    à eternidade se condena.”



                            Mia Couto

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O espaço vazio

           Hoje foi o seu último dia nessa casa,  5 anos atrás . Suas risadas não ecoam mais, seu sorriso maroto, a bola quicando, o barulho do videogame... sons que não existem mais.

            Parece impossível, tanto tempo e ao mesmo tempo tão próximo. Ainda às vezes parece um pesadelo.

             No entanto, o tempo passou. Muitos acontecimentos e mudanças que você não acompanhou ( ao menos presencialmente). 

             Seus amigos, adolescentes e pensando no vestibular. Você foi o amigo de infância. Infância esta que ficou pra trás. Só de pensar nisso, dói. Dói pensar no que poderia ter sido e não foi. Dói pensar no futuro sequestrado abruptamente.

             De um dia para outro, o menino que estava aqui, jogando, brincando, rindo, desapareceu.

              Foi de um hospital a outro e nunca mais voltou. Casa sem brinquedos espalhados, videogame permanente montado, chuteiras e bolas, cults e tarefas do kumon espalhadas.

              E um vazio que nunca será preenchido. Ressignificamos a vida. Por questão de sobrevivência, seguimos. Mas o seu espaço estará sempre aqui. E a sua ausência também. Infelizmente...       


( escrito em 24 de agosto de 2020)

Amar alguém


 Extraído do site Laços e Lutos da Teresa Gouvea 

Publicado em 17/07/2020 no meu Face.

Bem assim...

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Por que as crianças morrem?

“ Algumas flores desabrocham apenas por alguns dias. Todos as admiram e amam por serem um sinal de primavera  e de esperança . Depois, essas flores morrem. Mas já fizeram o que tinha que fazer...”

Elizabeth Kübler-Ross

Resposta da autora para a pergunta acima... Extraído do livro autobiográfico  A roda da vida.

Publicado em 17/08/2020

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Dia das mães de 2020

       Agora aqui sozinha eu posso chorar. Eu sinto muito a sua falta, filho. Meu dia das mães nunca mais vai ser completo sem você aqui. Eu sei que tenho a graça de ter a presença da minha mãe , nos seus 82 anos. E que tenho a filha linda e maravilhosa que é sua irmã . Às vezes me preocupo com ela, porque meu maior desejo é que ela seja plena e feliz.

       Mesmo assim, não consigo vivenciar o dia das mães da mesma forma. Você partiu e levou um pedaço de mim. E essa sensação de incompletude parece que sempre vai me perseguir nessas datas.

       “Seja feliz e grato com as graças que possui”. Agradeço Senhor. Mas não posso disfarçar o que sinto. Seria mentir pra mim mesma. Sabe que não sou de fugir da raia. Prefiro enfrentar do que ter assuntos mal resolvidos.

        Estava pensando na minha “ quarentena “ ou afastamento social quatro anos e meio atrás. Ia da casa para o hospital, aqui. Cercada de todos os medos e sem conseguir dormir. Apenas quando a exaustão chegava. E depois, em Curitiba, da casa da minha tia para tomar banho e dormir um pouco, para o hospital. Foram os períodos mais difíceis da minha vida. Mas nunca acreditei que teria o desfecho que teve. Foi tempo de muita oração e ressignificar muitas coisas na minha vida.

        Filho, queria tanto ter você aqui hoje para ter me acordado com um beijo e um abraço seu.

        De ter na sexta feira ido à escola ganhar um presente feito pelas suas mãos e comido bolachinhas, sanduichinhos e bolos feitos e servidos por você . 

        Foi um tempo bom. Pena que não volta mais.

        Você me deixou muito de você . Para sempre no meu coração.

         Te amo muito. Para todo e sempre.

( escrito no Dia das mães de 2020)