sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

O pós Natal

          






          Natal, festa de família reunida. Sempre vai faltar você . Sei que está com O aniversariante, mas você faz muita falta por aqui.

           Já são sete natais sem você . Não é igual .  Muitas vezes tenho que juntar forças, para montar árvore, decorar a casa , pensar no cardápio, providenciar presentes. Mas não acho que seria justo para a sua irmã e para os seus avós . 

            Reunir a família é ótimo, são bons momentos. Mas depois que tudo passa, bate uma sensação estranha. Talvez o vazio de saber que nunca mais teremos a sua presença física por aqui . Que sempre faltará você..

Aí o coração dói …

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Sinopse

                   



                  Foram doze anos e meio que meu filho esteve por aqui . Ele brincou muito, jogou bola, passeou, sorriu, chorou, emocionou e fez emocionar. Creio, foi feliz em sua curta passagem. Destas lembranças vívidas  e alegres , da experiência difícil no hospital, da dor da partida, do processo do luto , da saudade diária e da gratidão por tê-lo conosco, surgiram os textos que aqui compartilho . 

               Comecei escrevendo num processo terapêutico, para ajudar a organizar minhas ideias e sentimentos. Não parei mais.


               E se, de alguma forma estes textos auxiliarem no processo do luto de alguém , especialmente das mães que perderam seus filhos, já vai ter valido a pena.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Mais uma vez Copa do mundo …

         



            Mais uma vez Copa do mundo. Quem era mais louco por futebol em casa, era meu filho. Desde pequeno com sua camiseta da seleção, torcendo. 

            Sim, eu segui minha vida. Mas certos fatos, lugares, datas trazem “gatilhos” sim. O luto, ainda que resolvido, não é linear . E o que eu vivi, merece ser honrado, lembrado. A mim pertence.

            Por isso viagens de férias , mar , aniversário, natal, futebol , traz lembranças.

Engraçado, da Copa de 2018 mal lembro. Sei que assisti os jogos. Só .

            No entanto, a Copa de 2014 vem com memórias. Tentamos comprar ingressos para o jogo do Brasil, em vão. Vimos alguns jogos aqui em casa: com amigos, com amigos do João Pedro. Num dos lances, ele segurando o riso, porque a mãe do amigo vibrou com o replay do gol. Olhava pra ele e estava muito engraçado. Cervejas e comidinhas típicas do time adversário. Divertido. Até aquele fatídico 7 a 1, inacreditável. Cada vez que ia buscar algo era um gol da Alemanha. 

           Encontro fotos de 2006 ( você tinha apenas 3 aninhos) e de 2010 quando já conseguia compreender um pouco . E colecionar o álbum de figurinhas da Copa. E ter como programa de domingo de manhã , trocar figurinhas no Mercado Shangri-la ( até na Tv apareceu) . Figurinhas que sabia de cabeça , as que tinha e as faltantes, deixando as pessoas impressionadas. 

             Ah, sua memória era impressionante. E o poder de observação também . Tão pequeno, tão novinho…

“ Não sei porque você se foi

Quantas saudades eu senti

E na parede do meu quarto

Ainda está o seu retrato…”

              E eu, sempre gostando tanto de você . Você sempre comigo. Sempre.


Escrevi este texto antes do último jogo do Brasil. Meu filho não viu o Brasil campeão da Copa da FIFA, nasceu pós 2002.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

O mar

 

                Olho para o mar, impossível não me lembrar de você.

               Foram algumas viagens de férias para perto  do mar. Agora um mar de saudades no separa.

                Um mar de lembranças , de dias que vão ficando mais longes.

                 O mar acalma o coração. Traz paz só de olhar o vai e vem das ondas . Mesmo em dias de vento frio. Ao mesmo tempo, uma melancolia. Uma saudade que vem do fundo da alma. Um questionamento se estaria ou não conosco de férias , nessa época do ano. E outros sem resposta . Ou pior, sem perguntas. 

               No entanto, “ o mar quando quebra na areia “ continua sendo “ bonito, bonito”.

               Mesmo com a sua ausência nesse plano.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Luto

               


               Luto é uma dor que dilacera a alma, arranca um pedaço do seu coração. Luto é sentir saudade todo dia, sabendo ( hoje eu sei) que estará presente até o fim dos dias.  Luto é por a mesa para três pessoas, onde havia 4 lugares postos. Luto é perguntarem se só tenho ela de filha e ter que responder que sim, para não ficar explicando.    

                Luto é visitar o filho no cemitério na véspera do Natal, do Ano novo, no dia do aniversário. Luto é saber que seu filho não adolesceu, não chegou aos 13 anos, aos 14, 15, 16, 17, 18, 19 e não fará 20 anos no ano que vem .            Luto é ter que arranjar forças para levantar da cama e viver um dia de cada vez. 

               Luto é “ arrumar o quarto, do filho que já morreu “.

               Luto é ver seu filho lindo e saudável, partir em 20 dias .

               O luto merece ser respeitado. Tem gente sofrendo,  verdadeiramente, a dor do luto. Merece ser respeitada. Eu, infelizmente posso dizer, que sei que dor é essa.

domingo, 16 de outubro de 2022

Nossas dores

               



                Conversando com uma mãe que perdeu uma filha, falamos de nossas dores. Dores  que só quem passa, sabe.

                A dor das inúmeras despedidas . Dor nos dias que deveriam ser os mais alegres e que se tornaram  os mais difíceis . Dor quando nos perguntam dos filhos que temos . Dor quando comparam dores incomparáveis. Dor do vazio que jamais será preenchido. Dor que surge inesperadamente, sem compreendermos.

              Aprendemos a conviver com essa dor, mas ela está lá. Guardadinha, mas lá. Escondida, mas lá . Embora sorrimos, está lá . No âmago, está ali.

          
             Nosso consolo: sentir  que nossos filhos estão bem . E um dia nos reencontraremos .

sábado, 8 de outubro de 2022

Sobre animais

                Olhei nos olhos da Lili. Ela olha nos meus olhos e atentamente escuta o que eu digo . Como se tudo entendesse. Linda,  com os seus olhos cor de mel, no meio da carinha preta .

                De repente, começo a chorar. Fico imaginando como o João Pedro gostaria de tê-la conhecido. Quanto teria brincado com ela e a Didi, duas cachorrinhas arteiras , encontradas abandonadas, adotadas na pandemia.

               A Meg foi a cachorrinha da infância. Acompanhava as aventuras deles. No esconde esconde, a Amanda perguntava pra Meg onde estava o João Pedro e ela levava até ele. Ele ficava muito bravo. E a Meg não entendia. A Amanda dengava mais a Meg. O João Pedro era o das brincadeiras. Já no hospital, citou a saudade dos amigos e da Meg.

                Ambos sempre gostaram de animais . Os cachorrinhos dos amigos faziam festa para ele. A Brigitte, o Tico, a Nana ( irmã da Meg)  e a Estrela ( que filhote fazia xixi de felicidade quando via o João ).

                 Meu pai dizia que criança e animal reconhece as pessoas boas .

                 Dia 4 foi dia de São Francisco de Assis, protetor dos animais. Recebi de uma amiga, a música de São Francisco , cantada por Ney Matogrosso, na Arca de Noé ( para mim  um dos mais lindos discos infantis). Impossível não lembrar de quando colocava este CD para vocês . Música,  mais uma vez trazendo lembranças. 

                 Que São Francisco continue pelo nosso caminho , dizendo ao vento bom dia amigo, dizendo ao fogo saúde irmão .  E contando histórias para os passarinhos. 

                   E que nós não percamos a sensibilidade de nos encantarmos com os animais, com a natureza. E com os versos e música.

                    Como São Francisco nos ensinou. E você, em seu breve tempo, demonstrou.