Mais um dia 17 se aproxima. E eu estou aqui, em mais uma madrugada insone. Acordo do nada, é difícil, às vezes, voltar a dormir. Era o horário que a enfermagem passava. Ainda me persegue, em certos períodos, mesmo depois de tanto tempo.
Sim, tento trazer à consciência, tudo que me acontece. Para tentar compreender e prosseguir. Por isso, a escrita me auxilia. Desde que a redescobri, ajuda a organizar as ideias, estruturar os pensamentos. Transmitir os sentimentos, sem perturbar terceiros. Porque o mundo, não tem paciência de ouvir. As redes sociais são hedônicas. E tristeza afasta as pessoas .
No entanto, não posso deixar de sentir o que sinto. Como diversas vezes repeti, luto de filho não se supera. Você aprende a viver de uma forma diferente. Ressignifica sua vida. Mas o luto está lá. Passe o tempo que for. A parte “ arrancada” de você , como muitas vezes ouvi de mães em luto, continua latejando. Umas vezes mais, outras nem tanto.
“Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi”
( Pedaço de mim, Chico Buarque 1977)

Sim, as pessoas costumam cobrar que haja uma superação da morte de um filho. Mas a verdade é que não se supera a perda de um filho. Superamos muitas coisas na vida, mas essa dor é diferente. O que aprendemos é a conviver com ela.
ResponderExcluirComo tudo na vida, há dias e fases em que estamos mais fortalecidos, e outras em que estamos mais fragilizados. O luto não é uma linha reta.
A sociedade, de modo geral, não sabe lidar com o luto. Muitas vezes, também não sabe lidar com a tristeza do outro. Só quando a dor bate à própria porta é que o olhar muda. E, então, quem já passou por isso passa a ser visto com mais compreensão, empatia e respeito.
Marcela super verdadeiro o que escreveu. Conhece, como eu, a dimensão disso tudo .
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