Por mais que eu queira a leveza, hoje é tempo de intensidade. Da dor intensa. Do último dia em que o vi reagindo consciente, quando passou rapidamente por nós, rumo à sala de cirurgia.
Da ansiedade, que não sei como controlei, do aguardo por mais de 16h na sala de espera. Apenas nós ali. Acabaram as cirurgias da manhã, as da tarde, as da noite. E esperando... mais de meia-noite. Com a resposta de que a biópsia havia sido inconclusiva (dando falsas esperanças).
Depois soubemos que houve uma parada cardíaca, antes mesmo do início.
Não sei como sobrevivi. Sei que precisava ser forte para ficar ao lado dele. Ele precisava de mim.
Entendo quando dizem que as mães que perderam seus filhos são sobreviventes.
Quando a Cissa Guimarães fala que somos "mulheres amputadas", que não seremos mais 100% felizes.
Mas podemos ser 80, 70, por cento, sei lá, felizes. Para honrar quem partiu e por nós mesmos.
Busco isso, nem sempre é fácil. Para nós, é mais difícil. Mas quem sobreviveu a essa dor, a maior do mundo, tem uma força descomunal. É que às vezes cansamos. Precisamos de colo. E, principalmente, de nos darmos colo. Ombrearmos com quem nos faz bem e com o que nos faz bem. Autocuidado. Sobrevivência.

Nenhum comentário:
Postar um comentário