
Finados, dia dos mortos. De lembrar quem partiu dessa vida terrena. Como se fosse preciso um dia para lembrar, quando recordamos todos os dias.
Finados vem de finitude. E quando não tem fim porque o ser amado está sempre conosco?
Dia de oração para os mortos. Sempre, todo dia.
Por isso, lembrei hoje do Poema de Natal de Vinicius de Moraes. Poema de Natal em Finados? Talvez porque vida e morte sejam faces de uma mesma moeda.
Poema de Natal - Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos a vida.
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