Hoje, minha filha dorme em casa, de mudança, após 6 anos morando fora. Hoje, exatamente, faz 11 anos que meu filho dormiu nesta casa pela última vez. A vida é cheia de ironias e paradoxos.
Em meio a tanta alegria da formatura da filha, à sensação de cumprimento de uma etapa e às homenagens emocionantes, vem a lembrança de que, nesta mesma data, ele havia passado mal. Infelizmente, todas essas datas ficam gravadas em nossa memória e em nosso coração. E elas pulsam, mesmo que involuntariamente, mesmo em meio a emoções gratificantes e alegres.
Voltar para casa com as orquídeas floridas e os rabinhos de helicóptero nos recebendo é muito bom. Voltar para casa e lembrar que ainda o tinha comigo neste plano, aqui, há 11 anos, nem tanto.
Se pudesse voltar no tempo... se pudesse congelar alguns momentos e pular outros. Infelizmente, máquina do tempo existe apenas no pensamento. Ou na imaginação, distante da realidade.

Belo texto! Bom para a reflexão sobre as perdas e sobre a imperiosidade da vida que continua seu percurso.
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