sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Para Amanda

     


       Fomos ao mesmo café da primeira vez, quando da sua mudança. Conhecer  a veterana que havia lhe adotado e dado as dicas de Uberaba.

       Ah, quantos sentimentos misturados.

       Desmontando o apartamento, minha natureza emocionada fica com dó até mesmo de deixar alguns objetos desgastados pelo uso, mas escolhidos com tanto carinho. Você e o seu pai, mais pragmáticos, acabam vencendo.

      Olhar para a mesa, já negociada, fez me recordar que ela foi o que motivou a amizade com pessoas especiais, nessa sua trajetória uberabense.

       Por isso, para mim, um objeto não é só objeto. Conta histórias. Traz lembranças, até do que um dia fomos. Ou de quem fomos.

       Penso no tempo transcorrido. Chegamos numa época pré-pandemia. E passamos por ela nesse período. Paramos no mesmo lugar, onde tivemos que viajar cheios de máscaras. 

Mal imaginávamos tudo que viria. Em nossas vidas e em todas as vidas.

        Não somos os mesmos que adentramos, pela última vez, pela garagem, chegando de Londrina. O  seu apartamento em Uberaba, também um pouquinho nosso, que deixa de existir. 

        O som do galo cantando e os sinos dobrando às 6h da manhã, embora em pleno centro urbano. Da pequena sacada, a vista da torre da basílica e um pôr do sol privilegiado. Dos latidos agudos do Theo. Da proximidade com o mercado municipal, de tantas delícias. 

         Chegou uma adolescente e transformou-se numa mulher. Embora dolorida essa mudança de casa, a falta da presença física e toda a saudade envolvida, hoje enxergo o quanto cresceu.

         Simultaneamente, no filme que rebobino na minha cabeça, lembro do bebê fofinho, da menina esperta que dizia frases engraçadas, da adolescente que gostava das músicas da Manu Gavassi e de devorar livros de trilogias diversas, da jovem insegura com o que iria encontrar.

       Hoje surge a Amanda profissional, que há muito vem sendo formada. Pelos estudos, pela dedicação e, principalmente, pela empatia e pelo caráter envolvidos. Pois, antes do profissional, vem o humano. E sabemos da pessoa que você é.

        Emoções duais: do dever cumprido como pais; e da filha criança, que vem partindo há muito tempo, fechando uma porta para outras se abrirem. Com todo um horizonte a ser desbravado.

        Por isso, os dizeres da sua faixa foram mais que condizentes: “ O diploma é seu, o orgulho é nosso “.

2 comentários:

  1. Dia de muito orgulho e alegria para você e o Mário. Sentimento de dever cumprido! Parabéns!!

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  2. Parabéns Amanda, trilhou um longo caminho, cheio de dificuldades pela complexidade do curso de medicina e por enfrentar a saída da casa dos pais, que também não é fácil !!!! Parabéns aos pais que seguraram a sua mão, as vezes ao seu lado e as vezes a distância, dando apoio e amor. Siga o seu novo caminho com perseverança e com as bençãos de Deus !!!! Seja feliz !!!

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