sábado, 14 de outubro de 2023

O instante

“ Canto porque o instante existe 

E a minha vida está completa 

Não sou alegre nem triste, 

Sou poeta  “ ( Cecília Meirelles)

             

             Não sou poeta e nem sinto mais a minha vida completa . Mas escrevo porque o instante existe . E o instante me sensibiliza .

             O instante em que olho para minha filha brincando, alegremente, com as cachorrinhas de casa .

             O instante em que consigo cantar uma música de maneira razoavelmente satisfatória.

              Um instante em que ouço a risada de um amigo, contagiante, que me faz querer rir também.

               O instante daquele beijo de boa noite.

               O instante em que fotografo aquele lindo ipê  florido.

              O instante em que nostalgicamente ouço músicas que me remetem a um tempo longínquo.

               O instante do encontro de amigos. 

               O instante em que vejo aquele lindo por de sol “ que me traduz em versos”.

               O instante em que ouvi pela última vez a voz do meu filho, sem saber que seria .

               O instante em que olhei para ele, pela última vez, com vida.

               O instante em que o seu coração parou de bater.

               No entanto, o instante passa .  

               Mas , o instante é indeterminado. Sua duração é indefinida . Às vezes, para sempre.

sábado, 16 de setembro de 2023

Carta de 8 anos

         



             Como pode ? Já são 8 anos . Dois terços do tempo sem sua presença terrena e três terços com… 

             O tempo é um paradoxo. Creio, o tempo do coração deve ser outro . A saudade é tão grande que parece que o tempo é muito, muito maior…

            Mas você está tão presente que parece que foi ontem…

             Se voltasse para cá , veria quantos acontecimentos se modificaram. Tanto físicos, como emocionais . Nós, no dia a dia , muitas vezes não percebemos. Eles vão aparecendo ( ou desaparecendo ) aos poucos.

               Seus avós caminhando para os quase noventa. Vivi de criança passou a adolescente. Sua irmã, deixou de ser adolescente. A sua mãe está quase loira e o seu pai grisalho. Meg se foi. Lili e Didi vieram .

                Seus amigos, na faculdade e muitos, namorando. O caminho para a escola, antes tão congestionado, possui rotatórias e melhores vias de acesso. O hospital que nasceu, não existe mais. Seu pediatra, não atende mais no mesmo lugar. Na sua dentista , tem um desenho de você personagem ( das estórias que ela escreveu  para outras crianças ), junto com outras. O paintball, onde participou de alguns aniversários não existe mais.  Hoje é uma quadra de Beach Tennis ( que não chegou a conhecer ) e muitas pessoas jogam por aqui. Você com certeza iria jogar com facilidade ( já jogava tênis ) ia se divertir com os amigos .

               O Federer e o Nadal pararam de jogar . O Djoko é o número um, mas um espanhol , da idade que você teria, está em ascensão e até ganhou do Djoko. Joga muito o Alcaraz.

             Ah , o Palmeiras ainda não tem mundial ( estou imaginando o seu sorrisinho ). Mas está numa fase bem melhor que o Corinthians. A Amanda e a Vivi foram ver jogos no Itaquerão ( sorry) e tornaram torcedoras mesmo, depois da sua partida. O namorado da Amanda é palmeirense ( será que estaria com ciúmes dela ? ).

             O Cold play veio no ano passado e fez uma turnê gigantesca no Brasil ( acho que teria ido ) . E a Vivi está com o ingresso comprado para ver a Taylor Swift  ( não para de escutar as músicas dela) . Será que estaria indo no The Town , Rock in Rio e Lollapalooza? Imagino que sim, já escutava muita música .

             Será que estas informações te interessam aonde está? Esses nossos prazeres terrenos de escutar música , de torcer para um time de futebol, de ver/ praticar outros esportes ? 

               Por aqui, constantemente penso de algo que estaria gostando ou que gostava . Um simples sorvete. Uma viagem que não fez . Ou algo que estamos vivendo. Penso em como estaria e do que gostaria. E aí , a saudade bate mais forte …

                Saudade de tudo que vivemos e que não viveremos mais …Saudades dos fatos novos que não virão , ficarão apenas nas hipóteses.             Sempre ela, a saudade . Saudade que só cresce . Saudade que aperta o peito, que dá nó na garganta, ainda que por alguns momentos. Saudade que não tem fim, por aqui. Não nesse plano .

                Seguimos vivendo por aqui, até o dia do nosso reencontro. Sempre com muita, muita saudade. E também com muito amor . 

                 Que essa amor emanado, esteja chegando a você de alguma forma . 

                 Com todo carinho do mundo , 


Sua mãe 

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

21 de agosto

           


               Hoje dia 21 de agosto…   Relembro o que se passou a 8 anos atrás.

              Era uma sexta feira. Foi à escola como de rotina. Voltou se queixando de uma leve dor de cabeça. Mesmo assim, quis pousar na casa do amigo, como combinado.

              De lá pra cá , tudo mudou.  A alegria dele que contagiava a casa, desapareceu.

              Mal sabia o que estava por vir.

              Se pudesse queria voltar, de oito anos pra trás. Quando o riso era mais fácil e alegria de ter você por aqui também.

              Mas não posso, por isso sigo em frente.                 Até o dia do reencontro. E aí o abraço será dentro do infinito. Sem tempo, sem pressa.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Estrela, estrela


Muita vezes ouvi que meu filho virou uma estrela no céu. Ontem, ao ouvir essa música no show, não pude deixar de pensar nele. Não sei… sinto muito a presença dele por aqui. 

Reproduzo essa música para você, nesse dia 17.


Estrela, estrela

( Vitor Ramil)

Estrela, estrelaComo ser assimTão só, tão sóE nunca sofrer
Brilhar, brilharQuase sem quererDeixar, deixarSer o que se é
No corpo nuDa constelaçãoEstás, estásSobre uma das mãos
E vais e vensComo um lampiãoAo vento frioDe um lugar qualquer
É bom saberQue és parte de mimAssim como ésParte das manhãs
Melhor, melhorÉ poder gozarDa paz, da pazQue trazes aqui
Eu canto, eu cantoPor poder te verNo céu, no céuComo um balão
Eu canto e seiQue também me vêsAqui, aquiCom essa canção 


“ É bom saber que és parte de mim…”

domingo, 13 de agosto de 2023

Dia dos pais

 


                Vejo a dor nos olhos do pai dos meus filhos . E dói em mim. 

                 O dia dos pais não é mais o das bolachinhas, bolos, sanduíches feitos e servidos por suas mãos pequeninas . O dia dos pais não é mais ser presenteado com os presentes elaborados por eles e cheios de ansiedade para a entrega .  O dia dos pais não é mais com aquelas atividades específicas para pai e filho/ filha . O dia dos pais não é mais ser acordado de manhã cedo com um beijo  e às vezes com um café “surpresa”. Nunca mais a presença física das duas pessoas mais importantes de nossas vidas, juntas.

                 Reproduzo algo que eu li, cuja autoria desconheço :

                “ Que todos os pais recebam a benção de ver a evolução, o crescimento e as conquistas de seus filhos, na vida daqueles que com certeza serão eternamente gratos por terem os melhores pais do mundo “

                 Gratidão que supera a morte.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Agosto

          



             Agosto chegou. Com ele, a minha pressão subiu. Sei que tenho que me cuidar . Alguns agostos passados adoeci. Já fui parar no hospital com intoxicação medicamentosa , tive faringite forte ( de ficar completamente afônica ), gripe forte e outros episódios de doença . O corpo fala . E o inconsciente também .

             Foi num dia 21 de agosto que o João Pedro reclamou de dor de cabeça . 22 ele passou mal . 24 foi o último dia dele em casa. Depois só hospital , para não voltar mais.

Já são quase 8 anos. Lembro ainda dos acontecimentos diários daquele período. São quase 8 anos sem a alegria dele por aqui. Ah, fiquei triste de repente.

            Parafraseando Cecília Meireles: escrevo porque o instante existe . Não sou poeta, mas não sou alegre, nem triste.

domingo, 16 de julho de 2023

Sobre a Biblioteca da meia noite




              Li a pouco tempo, a Biblioteca da Meia noite. Nele, uma pessoa fica entre a vida e a morte e revê os seus arrependimentos . Podendo viver vidas diferentes, de acordo com escolhas diferentes . No caso, o que teria acontecido se prosseguisse cantando, nadando, não tivesse terminado um relacionamento, mudado de cidade, etc..

            Em cada escolha diferente, os resultados também teriam sido outros. Em algumas vidas era casada, em outras tinha filhos ou não, sucesso ou não.

            Fiquei pensando na minha vida…

            Creio que essa era a vida que deveria ter vivido. A família que deveria ter tido. E o fato que mais impactou a minha vida, a morte do meu filho, não foi escolha minha ( ao menos nesse plano). O resultado não teria sido diferente, se tivesse feito outras escolhas em que ele existisse. Por isso, se existisse uma Biblioteca da meia noite creio que não teria outros livros a serem revistos.

            Porque acima de tudo, não conseguiria imaginar uma vida sem eles. Mesmo com todos os acontecimentos.

           Amor para sempre.